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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Nivalson Miranda e o Patrimônio Histórico

Mais uma homenagem ao Professor Nivalson Miranda, por Carlos Azevedo*

Carlos e Nivalson - SPA

Visualizar o patrimônio cultural em desenhos a bico de pena não é tarefa fácil. Exige do desenhista muita sensibilidade e técnica. Nem todo artista plástico tem a devida competência para retratar o patrimônio histórico.

Nos anos de 1950 li o romance “Vila dos Confins”, de Mário Palmério, e o que me chamou a atenção naquele livro foram as ilustrações de um tal de Percy Alfred Lau (1903-1972), artista peruano radicado no Brasil.

Anos mais tarde entrei, de fato, em contato com a obra de Percy Lau: “Tipos e aspectos do Brasil”. Seus desenhos mostram verdadeiramente a alma do povo brasileiro. Para esse projeto o peruano de Arequipa investiu muito: percorreu todo o Brasil registrando paisagens e os mais diversos tipos humanos.

Muitos desses desenhos figuram num compêndio de Geografia do Brasil, de autoria de Aroldo de Azevedo, um livro didático singular, bastante estudado na década de cinquenta do século passado. “Viajamos” pelo Brasil através das ilustrações de Percy Lau... Vale a pena conferir a valioso trabalho de Lau. Hoje, completamente esquecido.

O professor paraibano e artista plástico Nivalson Fernandes Miranda (1927-2013) lembra muito Percy Lau. Sua Técnica é bastante semelhante a do artista peruano. Ambos tiveram a mesma paixão: estudar paisagens físicas e culturais. Registraram com muita competência a nossa vida cultural.

Conheci Nivalson Miranda. Tive a honra de acompanhar de perto muitos de seus projetos. Uns mirabolantes, outros bem viáveis...

Era fascinado pelo Brejo. Tanto é que elaborou um belíssimo álbum: “Areia e seu entorno” (2007). Neste estudo retratou através de desenhos a bico de pena o patrimônio arquitetônico, histórico, paisagístico e cultural do Brejo. O referido trabalho foi editado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) e patrocinado pela Chesf.

Guardo, sim, uma grata recordação daquele jovem de 86 anos, vitalíssimo, lucidíssimo e, naturalmente, muito humano. Demasiadamente humano.

Por uma estranha coincidência, Nivalson faleceu num sábado de agosto. Era exatamente a data em que comemora no Brasil o Dia do Patrimônio Histórico: 17 de agosto, como observou Piedade Farias, uma velha amiga do nosso saudoso Nivalson.

*Antropólogo, Sócio da SPA e do IHGP (carolusazevedo@hotmail.com)

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