Este é o blog da Sociedade Paraibana de Arqueologia. Contato: sparqueologia@gmail.com

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Galeria pré-histórica de Arte Moderna


Sheila Dias Farias*


A Arte Moderna vem romper com as tradições longamente estabelecidas, germinada num movimento artístico da Idade Média que levou a Renascença, a Arte Moderna hoje é considerada o apogeu da expressão humana.



Um dos principais expoentes da arte moderna é, sem dúvidas, o Cubismo. Um movimento artístico que analisa a geometria e a estrutura dos objetos mais do que sua aparência comum. Desenvolve-se a partir da Arte Primitiva, do Fovismo e das primeiras tentativas de Paul Cézanne para substituir o Impressionismo por uma aproximação menos estética e mais intelectual à forma e à cor. Os criadores do Cubismo foram: Pablo Picasso e Georges Braque. Sua primeira exposição realizou-se em Paris, em 1907.


A partir de 1912, juntaram-se a Picasso e Braque outros artistas plásticos que levaram as idéias de Cézanne muito mais longe, tentando exprimir o conceito de um objeto – sobrepondo muitas vezes diferentes imagens dele no mesmo quadro. O Cubismo abriu caminho para a Arte Abstrata.


É curioso notar que este grau máxima da expressão humana, desenvolvido com a evolução intelectual da humanidade e construído a partir de uma extensa soma de conhecimentos e experiências históricas, há milhares de anos já era a forma de expressão artística de nossos mais remotos ancestrais.


O Cubismo e outros movimentos artísticos como o pós-impressionismo, a arte abstrata, o surrealismo e a pop art, que acabaram por determinar a Arte Moderna, já foram experimentados nas pedras por artistas anônimos no longo lapso de tempo que hoje denominamos de pré-história. Homens que viviam uma outra realidade cotidiana, com necessidades e imaginários muito diferentes, já haviam inaugurado os estilos que hoje marcam a trajetória da Arte Moderna.


Esta identificação flagrante entre Arte Rupestre e Arte Moderna pode não ser uma coincidência como muitos querem. Nos vários livros sobre o desenvolvimento da inteligência na criança, Jean Piaget sugere que o pensamento de povos primitivos está no mesmo nível daquele de crianças de sete e oito anos, caracterizado por um realismo ingênuo, no entanto esta visão pejorativa com relação as sociedades primitivas, ao que tudo indica, é errônea. O historiador Rocha Pombo, em sua “História do Brasil”, afirma que nossos indígenas tinham noções científicas relacionadas à botânica e a zoologia. Sabiam explicar com segurança certas plantas como medicamentos, separavam-nas em gênero, famílias e compunham até classes, tão exatas como se fossem agrupadas por um botânico ou zoólogo formado em academia. EArte Rupestre? Como enfatizou o estudioso Câmara Cascudo: “o que caracteriza essencialmente uma cultura não é a existência de padrões equivalentes aos nossos no espaço e no tempo. Uma cultura vive pela sua suficiência”. por que não observarmos uma ciência artística na

Talvez, o que levam muitos a considerar a Arte Rupestre garatujas de índios, inválidas como expressão artística, seja o distanciamento com as capacidades mentais e necessidades desses povos e, principalmente, o contato direto com a Arte Rupestre. Ver uma ilustração de livro ou revista ou mesmo uma imagem televisiva de um exemplar de Arte Rupestre não é a mesma coisa que vê-la diretamente em seu contexto. Porque a Arte Rupestre tem textura, cheiro, som. E tudo isso faz parte da expressão, porque o artista se inspirou nos elementos da natureza que o circundavam na idealização e composição da arte.

A arte é a expressão visual de uma civilização, onde se tenta retratar a condição humana diante do mundo e, nesse aspecto, a Paraíba é um verdadeiro museu a céu aberto de Arte Moderna. Há muita expressividade e vivacidade nas “telas” pintadas a ocre ou gravadas a picão nos rochedos do interior do Estado. Alguns desses “quadros pré-históricos” podem muito bem se enquadrar no que chamamos de Arte Abstrata, transmitindo emoções e idéias sem utilizar imagens reconhecíveis. Outros são tão dantescos quanto Guernica de Picasso, outros tão imprecisos como os impressionismos de Monet e outros tão surreais quanto o legado de Salvador Dalí.

A arte rupestre do Nordeste é tão diversa e apresenta tanta identidade com um mesmo horizonte cultural que até já existem propostas de classificações a partir destes estilos que sugerem uma evolução artística na pré-história.

Sabemos muito pouco com relação esse movimento artístico pronto-histórico da humanidade e este desconhecimento é que nos habilita a tratar esta expressão como desprovida de valor artístico. É muito mais fácil do que considera-lo um sistêmico desenvolvimento parietal de expressão, tão intensa como a Arte Moderna. Pois teríamos que qualificar nossa sociedade num mesmo nível artístico que estes povos remotos, os quais não temos como enquadrar nas tabelas historiográficas da arte, pois suas assinaturas eram impressões palmáticas e seus históricos não foram escritos. Como rivalizar um ilustre Picasso com um anônimo troglodita? Não fica bem.

*Artista plástica, sócia da SPA.

1 comentários:

Anônimo,  14 de agosto de 2008 01:16  

Olá, gostaria de saber como faço para publicar um artigo sobre a pop arte. Meu e-mail é laisquintella@hotmail.com

LAÍS QUINTELLA

Leia por assuntos

Boletim da SPA eventos Arqueologia evento Pedra do Ingá IHGP História Patrimônio Vandalismo Lançamento Paleontologia Rev. Tarairiú Campina Grande Centro Histórico João Pessoa Revista Eletrônica Arte IHGC Juvandi Tarairiú Carlos Azevedo Homenagem Livro Museu Arqueologia Histórica Artigo Cariri Diário da Borborema Arquivo Espeleologia História da Paraíba Inscrições Rupestres MHN UEPB Nivalson Miranda Pesquisas Vanderley Arte Rupestre Encontro da SPA Evolução Exposição Fósseis Itacoatiaras LABAP Patrimônio Histórico Soledade São João do Cariri Thomas Bruno Achado Arqueológico E-book Falecimento IPHAEP IPHAN Missões Projetos Queimadas Raul Córdula SBE Semana de Humanidades Serra de Bodopitá UEPB UFCG Vale dos Dinossauros Acervo Antropologia Arqueologia Experimental Barra de Santana Brejo Cabaceiras Capitania da Paraíba Cartilha Clerot Cordel Descaso Escavação Estudos Evolutivos FCJA Forte Ingá Itatuba Lagoa Salgada Memórias Natal Niède Guidon Palestra Patrimônio Arqueológico Pesquisador Piauí Serra da Capivara Serras da Paraíba São João do Tigre UBE-PB USP Uruguai Walter Neves África ALANE ANPAP APA das Onças Amazônia Amélia Couto Antônio Mariano Apodi Araripe Areia Arqueologia Industrial Arqueologia Pública Aula de campo Aziz Ab'Saber Bacia do Prata Belo Monte Biografia Boqueirão Brasil CNPq Camalaú Caraúbas Carta circular Casino Eldorado Ceará Cemitério Comadre Florzinha Concurso Cozinhar Curimataú Curso Curta-metragem Datação Dennis Mota Descoberta Dom Pedro I Dossiê Educação Ambiental Educação Patrimonial Elpídio de Almeida Emancipação política Espaço Cultural Esponja Exumação Falésia do Cabo Branco Fazendas de gado Feira de Campina Grande Fonte Histórica Forte Velho Funai Gargaú Geografia Geologia Geopark Guerra dos Bárbaros Guilherme História Viva Hominídeo IHCG IHGRN IPHAN-RN Ipuarana Jesuítas Jornal da Ciência José Octávio Juandi Juciene Apolinário Laboratório Lagoa Pleistocênica Lagoa de Pedra Lajedo de Soledade Linduarte Noronha Litoral Luto MAC Mato Grosso Matéria de TV Memórias do Olhar Mostra Museu Itinerante Ocupação humana Olivedos PROPESQ Paleo Paraíba Pará Pe. Luiz Santiago Pedro Nunes Pernambuco Pilões Pleistoceno Pocinhos Ponto de Cultura Projeto Catálogo Pré-História Pré-História submersa Quilombola Reivindicação Reportagem Revista Rio Paraíba SBP SBPC Santa Luzia Sebo Cultural Seminário Semiárido Seridó Serra Branca Serra Velha Serra da Raposa Serra das Flechas Sertão Sessão Especial Sobrado Sumé São Mamede São Thomé do Sucurú Sócios TAAS Teleférico Terra Tome Ciência Técnicas Cartográficas UEPB Campus III Uol pelo Brasil Zonas arqueológicas caiabis mundurucu usina Índia Índios âmbar

Visitas desde SET 08

Translate

Estatísticas do google 2011

  © Arqueologia da Paraiba

Back to TOP