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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Serra Velha: Acervo Arqueológico e Histórico


*Dennis Mota



A Serra de Bodopitá possui 45km de extensão e está entre os municípios de Queimadas e Itatuba. No trecho compreendido entre os municípios de Ingá e Itatuba, ela recebe a denominação de Serra Velha, lugar que vem há muito tempo nos chamando a atenção, devido a suas exuberantes formações rochosas e por seu abundante acervo histórico e arqueológico.


Essa cadeia de Montanhas do planalto da Borborema foi palco de vários acontecimentos da Pré-História e da História de nossa região. Os documentos que comprovam esse fato não se encontram em museus ou bibliotecas, mas estão lá, gravados nas rochas e na memória de seus habitantes. Pessoas simples, humildes e trabalhadoras, que quando perguntadas a respeito de tais testemunhos não fazem a menor cerimônia em exibir ou até mesmo contar histórias e lendas, vividas ou repassadas por seus ancestrais.


Suas furnas serviram de abrigo para os índios, como também refúgio para cangaceiros como o famoso Antônio Silvino, que segundo moradores, esteve por lá. É muito comum ouvir histórias fantasiosas sobre luzes misteriosas, pedras encantadas que se abrem e até mesmo espíritos que vem para oferecer as “lendárias” botijas. Em 1996 uma equipe do Centro Paraibano de Ufologia CPB-UFO juntamente com uma equipe do exército, esteve na Pedra da Janela em busca de pistas sobre luzes que segundo a Sra. Marina da Silva, (moradora da Serra), apareciam todas as noites. Nesta mesma investida os pesquisadores constataram que o lugar possui grande quantidade de minério de ferro.



No ano seguinte iniciei minhas buscas por vestígios arqueológicos juntamente com meu primo Lúcio Farias, e recebemos a informação de um morador local que dizia respeito a uma suposta furna, cheia de ossos de “índios brabos”. Prontamente fomos averiguar a veracidade das informações, mas na ocasião não encontramos os supostos ossos, mas sim uma moeda muito antiga nos escuros e profundos corredores da furna, que fora descoberta por um caçador, quando sua presa caíra num buraco. Na mesma ocasião, fomos informados sobre um morador que havia encontrado em seu roçado um “pote de barro cheio de ossos dentro”. Encontramos o humilde Sr. José Felismino, que nos contou tudo sobre o fato. Segundo ele, enquanto usava o cultivador, viu aflorar um pote de barro, que foi em parte quebrado pelo impacto com o arado. Ele desenterrou o restante e observou que dentro do pote haviam “ossos de gente”. Ele guardou o achado numa casa de farinha, mais tarde o quebrou e jogou fora. Esse fato foi muito lamentado por nós. Na oportunidade, tentamos convencer o agricultor a lembrar-se onde porventura ele haveria jogado os restos da suposta urna funerária, porém sem sucesso.


Infelizmente fatos como esse são comuns dada a falta de informação da maioria da população, que cada vez mais comprometem irreparavelmente os estudos da Pré-História regional.

*Sócio da SPA

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