Por motivo de manutenção dos servidores da UEPB, os números anteriores do Boletim estão temporariamente inacessíveis.
Este é o blog da Sociedade Paraibana de Arqueologia. Contato: sparqueologia@gmail.com

terça-feira, 30 de junho de 2009

Alegorias do Passado


Vanderley de Brito*



A historiadora Mali Trevas, também especialista em paleontologia, em fins de 1993 descobriu uma lagoa pleistocênica numa vazante próxima à fazenda Torre, no interior do município de ingá. À época realizou uma escavação de resgate recolhendo vasto material fóssil de animais gigantes há muito extintos. O material foi analisado pelo paleontólogo da UFMG, Cástor Carlelle, que reconheceu restos fósseis de dois tipos de preguiças-gigantes, uma espécie de tatu-gigante, mastodonte e toxodonte.



O material ficou armazenado na prefeitura de Ingá e em 1996, Mali, através de uma parceria que conseguiu firmar entre a Prefeitura de Ingá (administração de José Iremar), a PBTur e a Fundação Casa de José Américo, desenvolveu um trabalho de restauração das principais peças para acomodar no Museu de História Natural do Ingá, que estava sendo estruturado numa sala do prédio de apoio próximo à Pedra do Ingá.



Naquela oportunidade, visando transformar a Pedra do Ingá num local mais atrativo para as visitações turísticas, Mali teve a iniciativa de recriar o cenário pré-histórico da região, ornamentando o lajedo com réplicas tridimensionais, em tamanho natural, de alguns destes animais extintos que foram exumados na lagoa. Para tanto, encarregou os artistas plásticos David Renovato e Nildo Vicente a fazerem as esculturas em cimento. Os rapazes fizeram réplicas de uma preguiça-gigante, um mastodonte e um tatu-gigante por sobre o lajedo, nas proximidades do prédio de apoio de onde se acessa o monumento arqueológico.



Muita gente gostou e, logicamente, outros acharam de mau-gosto. Todavia, quem mesmo detestou a idéia foi a coordenadora do curso de mestrado em pré-história da UFPE, professora Gabriela Martin. Declarando que pareciam bichos de carnaval, que não tinham nada a ver com o local e que deviam ser retirados dali imediatamente. Mali, na época mestranda em Pré-história pela UFPE e submetida à bolsa de estudo, mesmo contra vontade, não teve alternativa senão ordenar a retirado das réplicas. Na desmontagem, o modelo do mastodonte se fragmentou e as outras duas esculturas sofreram danos reparáveis.



Hoje, o que restou das esculturas, estão esquecidas e empoeiradas num canto da Garagem Pública de Ingá. Estive lá recentemente e as fotografei. Olhando-as, ali, no mais completo abando, fiquei a imaginar a contrariedade que minha amiga Mali sofreu neste episódio. São boas obras de arte e a intenção era a melhor possível. Acho até deveriam ser restauradas e instaladas no Museu de Ingá, contextualizando com os fósseis de lá, para que os visitantes possam ter idéia de como eram estes animais. Não só pelo valor artístico e didático, mas também em reparação a Mali que foi uma das maiores articuladoras para o desenvolvimento do turismo, divulgação e preservação do patrimônio cultural de Ingá.



*Historiador


Imagem: Réplica do Tatu Gigante em ruínas na garagem da Prefeitura Municipal de Ingá

0 comentários:

Leia por assuntos

Boletim da SPA eventos Arqueologia evento Pedra do Ingá IHGP História Patrimônio Vandalismo Lançamento Paleontologia Rev. Tarairiú Campina Grande Centro Histórico João Pessoa Revista Eletrônica Arte IHGC Juvandi Tarairiú Cariri Carlos Azevedo Homenagem Livro Museu Arqueologia Histórica Artigo Diário da Borborema Arquivo Espeleologia História da Paraíba Inscrições Rupestres MHN UEPB Nivalson Miranda Pesquisas Thomas Bruno Vanderley Arte Rupestre Encontro da SPA Evolução Exposição Fósseis IPHAEP Itacoatiaras LABAP Patrimônio Histórico Soledade São João do Cariri Achado Arqueológico E-book Falecimento IPHAN Missões Palestra Piauí Projetos Queimadas Raul Córdula SBE Semana de Humanidades Serra de Bodopitá UEPB UFCG Vale dos Dinossauros Acervo Antropologia Arqueologia Experimental Barra de Santana Boqueirão Brejo Cabaceiras Capitania da Paraíba Cartilha Clerot Cordel Descaso Escavação Estudos Evolutivos FCJA Forte Ingá Itatuba Lagoa Salgada Memórias Natal Niède Guidon Patrimônio Arqueológico Pesquisador Serra da Capivara Serras da Paraíba São João do Tigre UBE-PB USP Uruguai Walter Neves África ALANE ANPAP APA das Onças Amazônia Amélia Couto Antônio Mariano Apodi Araripe Areia Arqueologia Industrial Arqueologia Pública Aula de campo Aziz Ab'Saber Bacia do Prata Belo Monte Biografia Brasil CNPq Camalaú Caraúbas Carta circular Casino Eldorado Cavidade Natural Ceará Cemitério Comadre Florzinha Concurso Cozinhar Cuité Curimataú Curso Curta-metragem Datação Dennis Mota Descoberta Dom Pedro I Dossiê Educação Ambiental Educação Patrimonial Elpídio de Almeida Emancipação política Espaço Cultural Esponja Exumação Falésia do Cabo Branco Fazendas de gado Feira de Campina Grande Fonte Histórica Forte Velho Funai Fórum Permanente Ciência e Cultura Gargaú Geografia Geologia Geopark Guerra dos Bárbaros Guilherme História Viva Hominídeo IHCG IHGRN IPHAN-RN Ipuarana Jesuítas Jornal da Ciência José Octávio Juandi Juciene Apolinário Laboratório Lagoa Pleistocênica Lagoa de Pedra Lajedo de Soledade Linduarte Noronha Litoral Luto MAC Mato Grosso Matéria de TV Memórias do Olhar Mostra Museu Itinerante Ocupação humana Olivedos PROPESQ Paleo Paraíba Pará Pe. Luiz Santiago Pedro Nunes Pernambuco Pilões Pleistoceno Pocinhos Ponto de Cultura Projeto Catálogo Pré-História Pré-História submersa Quilombola Reivindicação Reportagem Revista Rio Paraíba SAB SBP SBPC Santa Luzia Sebo Cultural Seminário Semiárido Seridó Serra Branca Serra Velha Serra da Raposa Serra das Flechas Sertão Sessão Especial Sobrado Sumé São Mamede São Thomé do Sucurú Sócios TAAS Teleférico Terra Tome Ciência Técnicas Cartográficas UEPB Campus III Uol pelo Brasil Zonas arqueológicas caiabis mundurucu usina Índia Índios âmbar

Visitas desde SET 08

Translate

Estatísticas do google 2011

  © Arqueologia da Paraiba

Back to TOP