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terça-feira, 14 de julho de 2015

A falésia do Cabo Branco


Carlos Alberto Azevedo*

Falésia do Cabo Branco. (espacoturismo.com)
 
Os amigos da barreira do Cabo Branco que me perdoem...Mas a barreira vai desaparecer para sempre. A afirmação é do saudoso cientista Leon Clerot que, ainda na década de sessenta do século passado, vaticinou o desaparecimento da mesma, por conta da ação abrasiva do mar (erosão costeira) e das ações antrópicas negativas, isto é, obra de destruição feita pelo homem.
A ação abrasiva, segundo Clerot, acontece durante as marés altas, ocasionando o desmoronamento da falésia viva, reduzindo consideravelmente o volume da barreira - é um processo de desfiguração total da falésia pela abrasão. Ao lado desse processo, o acidente geográfico sofreu durante décadas a ação negativa do homem que atuou (e ainda atua) no planalto do tabuleiro.
A ação abrasiva faz parte da dinâmica do litoral e não se pode detê-la. As correntes marítimas atuam, implacavelmente sobre diversas áreas da costa, como por exemplo, na "praia Carne de Vaca,ao sul de Gramame; lá, todo coqueiral já foi destruído pelas águas do mar e até uma rua inteira de casas desapareceu" (devo essa informação a Leon Clerot).
Não adianta mais esse idealismo tardio dos preservacionistas românticos. Agora é tarde, bastante tarde - por que não se evitou o desmatamento da mata do Cabo Branco nos anos cinquenta? Por que não protestaram quando, em 1970, foi construída a via de acesso para o Altiplano?
Não sou geólogo. Mas fui durante vários anos professor de Geografia Física e Mineralogia no Colégio Estadual (Lyceu Paraibano) até ser exonerado do cargo, em 1968, pelos esbirros da ditadura militar, no Governo de João  Agripino. Por isso, talvez tenha a devida sensibilidade para observar a realidade dos fatos, ou seja, analisar a destruição galopante da falésia do Cabo Branco.
Acho bastante ingênua a ideia de um projeto faraônico para salvar a barreira. Para que gastar inutilmente 70 milhões de reais? Com essa quantia poderia ser feita a restauração do Hotel Globo (Varadouro) e de dezenas de outros bens culturais ameaçados.

*Carlos é antropólogo e membro efetivo do IHGP e Vice-Presidente da SPA

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