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quinta-feira, 17 de março de 2011

"Caixote que não serve pra nada"

Thomas Bruno Oliveira*

Pasmem os historiadores, defensores do patrimônio histórico e entusiastas da cultura de Campina Grande e da Paraíba. Pasmem aqueles que têm momentos de sua vida ligados à história deste monumento histórico. Pasmem todos! As palavras que compõem o título deste artigo foram proferidas pelo vereador de Campina Grande Antônio Pimentel, quando presidia a seção de hoje (16 de março de 2011) da Câmara Municipal de Campina Grande e tinha como alvo o antigo Cine Capitólio.



Este “caixote” (como afirmou o Sr. Vereador) foi inaugurado em 20 de novembro de 1934 com o status de melhor cinema da Paraíba, possuía capacidade para quase mil espectadores e passou por uma reforma em 1964, quando contou com moderna aparelhagem e poltronas estofadas (LEAL, 2007). Aliás, três destas poltronas que restaram estão no terraço da residência do Sr. Lívio Wanderley (a residência em Art-Dèco por trás do Capitólio), proprietários dos “cines” da Cidade por longos anos.



O Capitólio foi desapropriado por Cássio Cunha Lima quando foi prefeito da cidade e tinha como objetivo ser um camelódromo, mas não logrou sucesso pelo fato do Cine ser tombado pelo IPHAEP. Construiu, então, o camelódromo no antigo edifício Esial, hoje Shopping Edson Diniz e o Capitólio ficou entregue a própria sorte. Desde então, no meio cultural da cidade se ouve que: “o piso de lajotas foi retirado e enviado para Fortaleza” (por quem???), “o prédio não possui teto e que o mato está na altura da cintura”. Recentemente, temos a afirmação de que “O Capitólio corre risco de desabar” como afirmou matéria do Diário da Borborema em 22 de fevereiro de 2011.



Palco de muitas histórias de vida e tendo marcado memórias de muitos campinenses, o Capitólio está abandonado e sem perspectivas. Nos grandes centros e até em cidades menores que a nossa como Caicó, Mossoró, etc., um monumento como este já teria se tornado um equipamento cultural (se não fosse reativado!) e não estaria neste triste estado. Consta que a PMCG mudou a pretensão de fazer um camelódromo e, agora, pretende transformar o local num espaço cultural, com música, cinema, teatro e biblioteca e espera liberação do IPHAEP.



Portanto, este “caixote” revela lindas páginas da História da nossa cidade além de compor o espaço urbano de Campina Grande quando ela ainda era a Liverpool brasileira. Este Cine é a história viva de Campina e merece ser tratado com respeito.



* Historiador



Imagem: Foto atual do Cine Capitólio

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