SPA na VI Semana de Humanidades da UEPB
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| Casa grande da Fazenda Amaro. Tratada digitalmente. Pedro Nunes Filho. |
Pasmem os historiadores, defensores do patrimônio histórico e entusiastas da cultura de Campina Grande e da Paraíba. Pasmem aqueles que têm momentos de sua vida ligados à história deste monumento histórico. Pasmem todos! As palavras que compõem o título deste artigo foram proferidas pelo vereador de Campina Grande Antônio Pimentel, quando presidia a seção de hoje (16 de março de 2011) da Câmara Municipal de Campina Grande e tinha como alvo o antigo Cine Capitólio.
Este “caixote” (como afirmou o Sr. Vereador) foi inaugurado em 20 de novembro de 1934 com o status de melhor cinema da Paraíba, possuía capacidade para quase mil espectadores e passou por uma reforma em 1964, quando contou com moderna aparelhagem e poltronas estofadas (LEAL, 2007). Aliás, três destas poltronas que restaram estão no terraço da residência do Sr. Lívio Wanderley (a residência em Art-Dèco por trás do Capitólio), proprietários dos “cines” da Cidade por longos anos.
O Capitólio foi desapropriado por Cássio Cunha Lima quando foi prefeito da cidade e tinha como objetivo ser um camelódromo, mas não logrou sucesso pelo fato do Cine ser tombado pelo IPHAEP. Construiu, então, o camelódromo no antigo edifício Esial, hoje Shopping Edson Diniz e o Capitólio ficou entregue a própria sorte. Desde então, no meio cultural da cidade se ouve que: “o piso de lajotas foi retirado e enviado para Fortaleza” (por quem???), “o prédio não possui teto e que o mato está na altura da cintura”. Recentemente, temos a afirmação de que “O Capitólio corre risco de desabar” como afirmou matéria do Diário da Borborema em 22 de fevereiro de 2011.
Palco de muitas histórias de vida e tendo marcado memórias de muitos campinenses, o Capitólio está abandonado e sem perspectivas. Nos grandes centros e até em cidades menores que a nossa como Caicó, Mossoró, etc., um monumento como este já teria se tornado um equipamento cultural (se não fosse reativado!) e não estaria neste triste estado. Consta que a PMCG mudou a pretensão de fazer um camelódromo e, agora, pretende transformar o local num espaço cultural, com música, cinema, teatro e biblioteca e espera liberação do IPHAEP.
Portanto, este “caixote” revela lindas páginas da História da nossa cidade além de compor o espaço urbano de Campina Grande quando ela ainda era a Liverpool brasileira. Este Cine é a história viva de Campina e merece ser tratado com respeito.
* Historiador
Imagem: Foto atual do Cine Capitólio
Como tudo que é histórico na Paraíba, o local, outrora de riqueza e histórias mil, encontra-se abandonado, destruído, literalmente TOMBADO (ao chão mesmo). Em um país onde se valoriza o turismo e os bens materiais históricos/arqueológicos, sem dúvida que o velho teleférico seria um importante ponto turístico na pobre região da comunidade de Curimatã, distante cerca de 5Km da cidade de Barra de Santana.
Realizamos no local uma rápida garimpagem arqueológica onde ficava o maquinário e algumas casa construídas pelo DNOCS (hoje existentes apenas as estruturas dos alicerces), bem como, barracões para a guarda de materiais dos que ali trabalhavam na possível usina de concretagem, uma linda e majestosa guarita que acaba por se transformar num belo mirante, e o que encontramos: faiança, metais, cerâmica, tijolos, fragmentos de telhas, tubos de cimento, restos de estruturas, paredes, vidro, etc. Em suma, um rico material arqueológico que serve para contar um pouco da história da opulência do período.
Quem passa pela BR-104 com destino a Caruaru ou Santa Cruz do Capibaribe (em PE), nem imagina que nas proximidades da ponte sobre o rio Paraíba, em seu solo e subsolo, guarda-se um pouco da história da construção dessa importante BR e, que, lamentavelmente, como tudo que é histórico na Paraíba, caiu no esquecimento. Esses locais de rara beleza não são mais nem lembrados pelos moradores da região. São poucos aqueles que nos informam o que era e para que servia o local. Da mesma forma, vivemos uma efervescência de discursos políticos que enaltecem o turismo na Paraíba. No entanto, são meros discursos, pois, no geral, esses políticos não conhecem esses lugares.
A História da Paraíba, em Curimatã, está caindo aos pedaços, carcomida pela ferrugem e a desordem. Visitem Curimatã, antes que tudo, literalmente falando, seja tombado.
*Pós-Doutor em Arqueologia, Professor do Dept. de Geo-História da UEPB, Vice-Presidente da SPA.
Imagem: O motor do teleférico (acima), a guarita (no centro), material arqueológico encontrado no lugar (abaixo)
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