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sábado, 26 de julho de 2014

SPA na VI Semana de Humanidades da UEPB


No último dia 16 de julho, os confrades Juvandi de Souza Santos e Thomas Bruno Oliveira receberam a carta de aceite de uma proposta de grupo de trabalho enviada para a VI Semana de Humanidades da UEPB. 

O evento que será realizado  entre os dias 28 e 31 de outubro de 2014, terá como um dos GT's 'Patrimônio Cultural da Paraíba: desafios para estudos e preservação'. Clique e veja a ementa. A Semana de Humanidades é um evento realizado no Campus III da UEPB em Guarabira e está em sua 6ª edição.

Para se inscrever, acesse: http://semanadehumanidades.wix.com/ch-uepb

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A casa-grande da Fazenda Amaro


Pedro Nunes Filho*

TRATA-SE DE uma das casas de fazenda mais antigas e imponentes do Município de Monteiro. Quem a construiu, ninguém sabe ao certo.  Para descobrir sua história será preciso realizar demoradas pesquisas em documentos cartoriais. Por enquanto, segredo não revelado. Segundo dizem, mistérios é que trazem emoção e desafiam mentes inquietas e curiosas.
Embora se trate de fazenda secular, saí à sua procura e quase ninguém sabia instruir-me acerca de sua localização. Dificuldades e pouca informação remetem ao desconhecido e tornam a procura ainda mais instigante. Depois de muitas buscas, escondida na cabeceira de um baixio extenso, de repente, diante dos meus olhos, a casa-grande do Amaro, fortaleza perdida no meio das caatingas. Sem dúvida, mais bonita ainda do que eu imaginava!
Autorizado a visitar a casa, entrei com o mesmo respeito de quem ingressa num templo sagrado com intuito de orar. Visita silenciosa, rendi homenagem a quantos por ali passaram, deixando rastos de bravura nos caminhos boiadeiros daqueles sertões inóspitas.  Verdade é que os habitantes daquele casarão sequer deixaram vestígio de suas existências, a não ser a própria construção. Paredes não falam. Se falassem... Ah, meu senhor, se elas falassem, eu teria muito mais coisas para lhe contar!...

Casa grande da Fazenda Amaro. Tratada digitalmente. Pedro Nunes Filho.

Pelos detalhes rústicos que ostenta, a obra encanta qualquer visitante de bom gosto. Linhas inteiriças, brabos e pontaletes, todos de miolo de aroeira. Caibros roliços de pereiro, ripas de freijó. Janelas e portas de madeiras nobres teimam em resistir ao tempo. Pé-direito alto, paredes dobradas. Fechaduras, ferrolhos, dobradiças, chaves e pregos, peças de arte forjadas na bigorna por mãos obreiras talentosas. Traves, taramelas e armadores de rede, em miolo de baraúna. Velhas mesas e bancos com bordas carcomidas pelo tempo. Oratório de devoção em recanto silencioso. Em tudo, a estética da simplicidade e o perfume do tempo.
Figuro que o velho casarão foi construído nos idos de 1700. Em duas etapas, creio. Primeiro, o módulo original: chalé alto, com primeiro andar, à semelhança dos velhos sobrados portugueses. Detalhe nunca visto em outras construções despertou minha atenção: recantos externos curvos, peculiaridade estética de rara beleza, fruto da criatividade de algum mestre de obra hábil e caprichoso. Quem sabe, o famoso Mestre João, construtor de igrejas monumentais! Quem sabe?...
Cor de ocre, a fachada principal é voltada para o Sul. O corpo da casa, pintado de cal. Quatro janelões sobranceiros, emoldurados com vistas brancas mostram marcas de balas das festas de guerra que há cem anos, um dia, ali aconteceram.
Dois pavimentos. No térreo, grande salão, cozinha e cômodo para estocar alimentos, na época, em abundância e da própria lavra. No primeiro andar, os aposentos, com assoalhos de madeira, hoje, em mau estado de conservação.
A segunda etapa da casa parece ter vindo tempos depois. A prole crescendo pedia mais espaços. Sem perder o senso estético, o patriarca fez uma puxada na lateral direita. Na frente, duas janelas e uma porta de entrada. Mãos-francesas ajudam a sustentar a biqueira, um pouco mais avançadas para proteger a porta de entrada contra as chuvas. Dentro, escada e passarela de madeira dão acesso aos aposentos da família, que eram muitos.
No primeiro andar, furo enviesado, saindo em cima da porta de entrada da casa. Armadilha para introduzir cano de rifle e despejar sementes de fogo em inimigos afoitos que se aventurassem a penetrar à força na intimidade do casarão.
Fora, céus infinitamente azuis, alicerces fincados em terra vermelha e pedregosa. Escada de alvenaria. Telhados escurecidos pela ação do tempo.
No mais, a Guerra de 12, que ali teve início.


*Sócio Efetivo da SPA
pnunesfilho@yahoo.com.br

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quinta-feira, 17 de março de 2011

"Caixote que não serve pra nada"

Thomas Bruno Oliveira*

Pasmem os historiadores, defensores do patrimônio histórico e entusiastas da cultura de Campina Grande e da Paraíba. Pasmem aqueles que têm momentos de sua vida ligados à história deste monumento histórico. Pasmem todos! As palavras que compõem o título deste artigo foram proferidas pelo vereador de Campina Grande Antônio Pimentel, quando presidia a seção de hoje (16 de março de 2011) da Câmara Municipal de Campina Grande e tinha como alvo o antigo Cine Capitólio.



Este “caixote” (como afirmou o Sr. Vereador) foi inaugurado em 20 de novembro de 1934 com o status de melhor cinema da Paraíba, possuía capacidade para quase mil espectadores e passou por uma reforma em 1964, quando contou com moderna aparelhagem e poltronas estofadas (LEAL, 2007). Aliás, três destas poltronas que restaram estão no terraço da residência do Sr. Lívio Wanderley (a residência em Art-Dèco por trás do Capitólio), proprietários dos “cines” da Cidade por longos anos.



O Capitólio foi desapropriado por Cássio Cunha Lima quando foi prefeito da cidade e tinha como objetivo ser um camelódromo, mas não logrou sucesso pelo fato do Cine ser tombado pelo IPHAEP. Construiu, então, o camelódromo no antigo edifício Esial, hoje Shopping Edson Diniz e o Capitólio ficou entregue a própria sorte. Desde então, no meio cultural da cidade se ouve que: “o piso de lajotas foi retirado e enviado para Fortaleza” (por quem???), “o prédio não possui teto e que o mato está na altura da cintura”. Recentemente, temos a afirmação de que “O Capitólio corre risco de desabar” como afirmou matéria do Diário da Borborema em 22 de fevereiro de 2011.



Palco de muitas histórias de vida e tendo marcado memórias de muitos campinenses, o Capitólio está abandonado e sem perspectivas. Nos grandes centros e até em cidades menores que a nossa como Caicó, Mossoró, etc., um monumento como este já teria se tornado um equipamento cultural (se não fosse reativado!) e não estaria neste triste estado. Consta que a PMCG mudou a pretensão de fazer um camelódromo e, agora, pretende transformar o local num espaço cultural, com música, cinema, teatro e biblioteca e espera liberação do IPHAEP.



Portanto, este “caixote” revela lindas páginas da História da nossa cidade além de compor o espaço urbano de Campina Grande quando ela ainda era a Liverpool brasileira. Este Cine é a história viva de Campina e merece ser tratado com respeito.



* Historiador



Imagem: Foto atual do Cine Capitólio

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O teleférico da Paraíba

Juvandi de Souza Santos*

A Paraíba é realmente única no mundo. De tudo tem ou já teve por estas plagas. Até um teleférico tivemos nos idos dos anos 60 e 70 do século XX, cruzando os canyons do rio Paraíba.

Trata-se de um teleférico montado pelo Departamento de Obras Contra as Secas (DNOCS) para transpor homens, máquinas e matérias-primas diversas de um lado a outro do velho Paraíba, quando este, em época de chuvas, fica intransponível para pedestres e veículos.

O teleférico foi montado no período em que a Rodovia BR-104 estava em construção. Lá, nesse local, existe gravado numa velha parede de pedra e cimento a data de 1969, possivelmente quando o teleférico começou a funcionar.

O local é belíssimo: canyons, vegetação de caatinga arbórea/arbustiva, água no rio, pequenas praias e o que sobrou do velho teleférico: ferros contorcidos, restos das máquinas e algumas estruturas em pedra e cimento que mais parecem velhos bunkers nazistas da famosa Muralha do Atlântico, na Normandia, França.


Como tudo que é histórico na Paraíba, o local, outrora de riqueza e histórias mil, encontra-se abandonado, destruído, literalmente TOMBADO (ao chão mesmo). Em um país onde se valoriza o turismo e os bens materiais históricos/arqueológicos, sem dúvida que o velho teleférico seria um importante ponto turístico na pobre região da comunidade de Curimatã, distante cerca de 5Km da cidade de Barra de Santana.

Realizamos no local uma rápida garimpagem arqueológica onde ficava o maquinário e algumas casa construídas pelo DNOCS (hoje existentes apenas as estruturas dos alicerces), bem como, barracões para a guarda de materiais dos que ali trabalhavam na possível usina de concretagem, uma linda e majestosa guarita que acaba por se transformar num belo mirante, e o que encontramos: faiança, metais, cerâmica, tijolos, fragmentos de telhas, tubos de cimento, restos de estruturas, paredes, vidro, etc. Em suma, um rico material arqueológico que serve para contar um pouco da história da opulência do período.

Quem passa pela BR-104 com destino a Caruaru ou Santa Cruz do Capibaribe (em PE), nem imagina que nas proximidades da ponte sobre o rio Paraíba, em seu solo e subsolo, guarda-se um pouco da história da construção dessa importante BR e, que, lamentavelmente, como tudo que é histórico na Paraíba, caiu no esquecimento. Esses locais de rara beleza não são mais nem lembrados pelos moradores da região. São poucos aqueles que nos informam o que era e para que servia o local. Da mesma forma, vivemos uma efervescência de discursos políticos que enaltecem o turismo na Paraíba. No entanto, são meros discursos, pois, no geral, esses políticos não conhecem esses lugares.

A História da Paraíba, em Curimatã, está caindo aos pedaços, carcomida pela ferrugem e a desordem. Visitem Curimatã, antes que tudo, literalmente falando, seja tombado.

*Pós-Doutor em Arqueologia, Professor do Dept. de Geo-História da UEPB, Vice-Presidente da SPA.
Imagem: O motor do teleférico (acima), a guarita (no centro), material arqueológico encontrado no lugar (abaixo)

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