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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Arqueologia Industrial na Paraíba

Carlos Alberto Azevedo*

Recentemente, o Grupo de Estudos e Pesquisas em Arqueologia Histórica e Industrial (GEPAHI), voltou-se para várias ações na área do patrimônio industrial, isto é, para os vestígios da cultura industrial na Paraíba. Esses vestígios “possuem valor histórico, tecnológico, social, arquitetônico e científico”, como frisou a Carta de Nizhny Tagil sobre o patrimônio industrial, publicada por The International Committee for the Conservation of the Industrial Heritage (TICCIH), em 2003.



Na Paraíba, os monumentos industriais relevantes, ou seja, bens vinculados ao processo de industrialização estão localizados nas seguintes cidades: João Pessoa, Campina Grande, Rio Tinto, Areia, Santa Rita e Sousa. E merecem ser mapeados, para, depois, preservá-los; pois eles fazem parte da história industrial e pertencem à nossa herança cultural recente.



Em breve, o GEPAHI e a Sociedade Paraibana de Arqueologia (SPA) farão um levantamento fotográfico das ruínas da primeira fábrica de cimento da América Latina, na Ilha de Tiriri, no município de Santa Rita-PB. Trata-se de um importante “lugar de memória” industrial que deve ser lembrado.



Em João Pessoa, o Grupo deverá mapear as antigas fábricas que funcionaram no bairro do Varadouro, como a primeira fábrica de gelo (1894) e as fábricas de refrigerantes Dore e Sanhauá.



Quanto a Fábrica de Vinhos Tito Silva, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1996, “por ser a última e mais antiga fábrica de vinho de caju do Brasil”, merecerá referência pelo excelente exemplo de proteção e uso do patrimônio industrial.



No tocante aos estudos e pesquisas dos testemunhos industriais, ou melhor, os bens móveis e imóveis, o GEPAHI dispõe para isso de uma equipe especializada, onde destacam-se economistas, arqueólogos, historiadores, arquitetos, sociólogos, antropólogos e engenheiros, todos interessados na história industrial do Estado.



Uma das metas do Grupo é, futuramente, sugerir ao IPHAN e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP) que se tombem bens tangíveis do patrimônio industrial, para que seja evitada a destruição de muitos monumentos importantes.



Para o próximo ano, o GEPAHI pretende realizar o I Encontro Estadual sobre Patrimônio Industrial que, com certeza, contará com o apoio da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP) e de vários órgãos que se preocupam com a preservação do patrimônio industrial.



*Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Arqueologia Histórica e Industrial, Sócio da SPA.

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